Cinquenta anos após a morte de Juscelino Kubitschek, em 22 de agosto de 1976, um relatório, aprovado em maio de 2026, reescreveu a versão sobre o episódio. O documento da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, concluiu que o ex-presidente não morreu em um acidente de trânsito, e sim em decorrência da perseguição política da ditadura militar.
JK e seu motorista, Geraldo Ribeiro, morreram na Rodovia Presidente Dutra, em Resende (RJ), quando o Opala em que viajavam invadiu a pista contrária e colidiu de frente com um caminhão. A versão oficial da época atribuiu as mortes a um acidente.
Elaborado pela relatora e historiadora Maria Cecília de Oliveira Adão, o relatório reúne mais de 1,2 mil páginas de provas, perícias e documentos. A conclusão é de que a morte de Juscelino foi “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964”.
Com base nisso, a CEMDP determinou a retificação das certidões de óbito de Juscelino Kubitschek e de Geraldo Ribeiro, nos termos da Resolução 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A comissão passou a figurar como atestante dos registros.
O processo foi aberto a pedido de Gilberto Natalini, ex-presidente da Comissão da Verdade Municipal de São Paulo, e de Ivo Patarra, após a reinstalação da comissão, em 2024.
