Comparando o cérebro de diferentes espécies, dois cientistas da Universidade de Stanford, nos EUA, descobriram uma conexão impressionante entre a forma como o nosso cérebro evoluiu ao longo de milhões de anos e o motivo pelo qual o autismo é relativamente comum em humanos hoje.
A dupla dirigiu sua atenção a um tipo específico de neurônio chamado L2/3 IT, que fica nas camadas externas do córtex cerebral, região responsável pelo pensamento abstrato e algumas funções cognitivas complexas como linguagem, raciocínio, memória e resolução de problemas.
No estudo publicado recentemente na revista Molecular Biology and Evolution, os autores propõem que, em geral, quanto mais comum é um tipo de neurônio, mais lentamente ele evolui. Isso faz todo o sentido, pois as mutações são uma aposta evolutiva: tanto podem trazer vantagens quanto causar danos ao organismo.
No entanto, uma exceção importante desafia essa regra: justamente os neurônios L2/3 IT, um tipo muito abundante no córtex. Segundo os autores, esses neurônios excitatórios mudaram mais rápido no ser humano do que nos demais primatas, como chimpanzés e gorilas.
O mais surpreendente foi descobrir que, junto com essa evolução acelerada, centenas de genes ligados ao autismo mudaram de forma coordenada. Em outras palavras, alterações que provavelmente trouxeram vantagens ao cérebro humano também aumentaram sua vulnerabilidade ao transtorno.
Por que uma evolução no cérebro resultou em maior risco de autismo?
