Os sons produzidos por golfinhos podem se transformar em uma importante ferramenta para monitorar e proteger a biodiversidade marinha. Pesquisadores do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um algoritmo de inteligência artificial (IA) capaz de identificar seis espécies de golfinhos do Atlântico Sudoeste a partir dos “assobios” emitidos pelos animais.
O estudo foi publicado na revista Ocean and Coastal Research e representa avanço no monitoramento da biodiversidade marinha. A tecnologia também pode ampliar a capacidade de acompanhar populações de mamíferos aquáticos em regiões de difícil acesso.
Para desenvolver o modelo, os pesquisadores analisaram cerca de 1,8 mil sons de animais registrados no litoral de São Paulo, no Arquipélago de Fernando de Noronha e no estuário de Cananéia, no litoral sul paulista.
Foram analisados sons de golfinhos-comuns (Delphinus delphis), orcas (Orcinus orca), golfinhos-pintados-do-Atlântico (Stenella frontalis), golfinhos-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), golfinhos-rotadores (Stenella longirostris) e botos-cinza (Sotalia guianensis).
O algoritmo alcançou 55% de precisão na identificação das espécies. Segundo os pesquisadores, o resultado é promissor por representar uma primeira etapa rumo à automatização do reconhecimento acústico desses animais.
