Se você cresceu usando internet discada no início dos anos 2000, provavelmente se acostumou a esperar todo mundo em casa desocupar a linha telefônica, ligar o modem, escutar aquele barulho que anunciava a conexão e abrir o ícone verde com o "K" prateado na área de trabalho. E aí começava a buscas pelo nome das músicas que ouvia nas rádios, via a lista de resultados com arquivos de nomes estranhos e tamanhos incertos e esperava de 15 minutos a quase uma hora para baixar um único MP3, torcendo para que ninguém tirasse o telefone do gancho no meio do processo.
Esse programa era o KaZaa, e por um bom tempo ele foi praticamente sinônimo de baixar música no Brasil. Uma geração inteira aprendeu a montar a coleção de MP3s, gravar CDs para festas e churrascos e descobrir bandas novas através dele. Depois, de forma quase repentina, o ícone verde sumiu dos computadores e das conversas. Hoje, boa parte de quem usou o programa não sabe explicar exatamente o que aconteceu com o KaZaa nem por que ele desapareceu tão rápido quanto surgiu.
A resposta envolve uma briga judicial em pelo menos quatro continentes, uma empresa registrada numa ilha do Pacífico para escapar da Justiça estadunidense, milhões de computadores infectados por spyware e uma dupla de empreendedores que, sem querer, acabou inventando o Skype no processo. É essa história que a gente conta a seguir.
Nascimento das cinzas do Napster
O KaZaa não surgiu do nada.
