As mulheres representam cerca 63% dos afastamentos do trabalho por transtornos mentais no Brasil em 2025, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Dos mais de 559 mil benefícios concedidos por esses motivos, 353 mil foram destinados a trabalhadoras.
Em entrevista ao Live CNN desta sexta-feira (21), Dorli Kamkhagi, doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP e colaboradora do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, ressaltou que o adoecimento feminino tem raízes socioculturais profundas.
“Tem toda uma cultura, toda uma história psicoemocional que faz com que a menina, quando nasce, já seja vista de um outro jeito”, afirmou.
Candidaturas femininas seguem abaixo de 35%, aponta especialista
Especialista analisa impactos da "dupla jornada" na carreira das mulheres
Especialista defende política integral no combate à violência contra mulher
Segundo ela, desde cedo as mulheres são condicionadas a assumir o papel de cuidadoras, seja do lar, dos filhos ou dos pais idosos, acumulando responsabilidades que se somam às exigências profissionais.
Kamkhagi destacou que a culpa é um dos fatores emocionais mais presentes nesse processo. “Vem uma culpa e uma consciência de que eu não estou sendo boa o suficiente”, explicou.
Essa sensação de dívida constante, presente em mulheres de todas as classes sociais, contribui diretamente para quadros de burnout, depressão e ansiedade.
