O governo de Donald Trump encerrou o contrato federal que financiava uma rede nacional de assistência jurídica para crianças migrantes desacompanhadas. Ao mesmo tempo, a administração autorizou o envio de até 600 advogados das Forças Armadas para atuar temporariamente como juízes de imigração.
São duas medidas diferentes, mas que acontecem dentro de uma grande reorganização do sistema migratório americano.Até 31 de julho, o governo federal financiava, por meio do Acacia Center for Justice, uma rede de quase 100 organizações que prestava assistência jurídica a mais de 20 mil crianças migrantes desacompanhadas.
Outras estimativas colocam o número de crianças afetadas em aproximadamente 24 mil. A diferença ocorre porque os números variam conforme o período e a definição dos casos atendidos pelo programa.
O contrato terminou em 31 de julho e não foi renovado. O programa existia havia quase 20 anos e reunia dezenas de organizações especializadas em representar menores que chegaram aos Estados Unidos sem pai, mãe ou responsável legal.
E aqui está um ponto fundamental: nos Estados Unidos, uma pessoa que responde a um processo de imigração não recebe automaticamente um advogado público pago pelo governo, como acontece em determinados processos criminais. Por isso, uma criança pode acabar diante de um juiz de imigração sem representação jurídica. São menores que podem ter chegado sozinhos aos Estados Unidos depois de fugir de violência, perseguição ou tráfico.
