Há um mês, Aracaju (SE) tornou-se a primeira capital brasileira conectada em caráter experimental por uma rede de comunicação que pertence, de fato, ao Estado. Não é uma promessa de obra futura: a infraestrutura foi instalada e colocada em operação pela Entidade Administradora da Faixa (EAF). Até o fim deste ano, pelo menos 22 capitas estarão integradas formando uma das mais modernas malhas de comunicação governamental da América Latina. Por trás desse marco há uma palavra que costuma soar abstrata, mas que aqui ganha forma concreta: soberania.
Antes de qualquer debate sobre regulação ou inteligência artificial, soberania digital começa por algo mais básico: a capacidade do Estado de se comunicar consigo mesmo sem depender de terceiros. Hoje, órgãos como INSS, Ibama e Anvisa trafegam suas informações por redes comerciais, da mesma forma que qualquer cidadão as usa para enviar um e-mail, acessar uma rede social ou assistir a um filme no streaming de sua preferência.
A nova infraestrutura vai mudar essa realidade. Parte dela, batizada de Rede Privativa Fixa do Governo Federal, trata-se de uma malha própria com mais de 2,5 mil quilômetros de fibras ópticas de alta capacidade lançadas, exclusiva do governo, que conecta os órgãos públicos federais com mais segurança, estabilidade e eficiência. Em Aracaju, já são 75,5 quilômetros de fibra, que vão ligar 8 prédios públicos, com a garantia de que os serviços continuem funcionando mesmo em momentos de pico ou de crise.
