O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) e a Coding Rights cobram do governo uma investigação acerca dos óculos Ray-Ban Meta no Brasil. As entidades encaminharam uma denúncia formal à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e outros órgãos federais apontando possíveis violações aos direitos de mulheres, crianças e adolescentes.
"A filmagem imperceptível não cria um risco novo em terreno neutro. É mais uma ferramenta que habilita o crescimento da violência de gênero. Não é aleatório que o padrão dos casos já documentados seja de homens filmando mulheres para humilhação, erotização não consentida ou monetização", afirmou a diretora da Coding Rights, Joana Varon.
O ato de gravar o ambiente com o celular é uma ação socialmente legível, argumentam o Idec e a Coding Rights, e isso garante tempo suficiente para pessoas enquadradas reagirem. Os óculos tornam essa janela ainda menor, considerando que o acionamento se dá por toque discreto ou gestos em pulseiras inteligentes.
As entidades ressaltam que os óculos da Meta possuem uma luz de LED que pisca quando a câmera é acionada, mas que ela só é visível para quem está olhando diretamente para a armação e em boas condições de luminosidade. Também é apontado que há "indicativos técnicos" de que o mecanismo pode ser burlado por meio de um bloqueio temporário do sensor ou de modificações no hardware.
