Os cenários apocalípticos e intimidatórios traçados pelo presidente Donald Trump têm como endereço os aliados de longa data dos EUA. Foi assim com a OTAN e o Canadá e, mais recentemente, com Omã e a Coreia do Sul.
Aos poucos, o presidente americano desmantela alianças sólidas com uma retórica impulsiva, alimentando a desconfiança e a percepção, cada vez mais forte, de abandono da superpotência aos seus parceiros tradicionais.
O tom ameaçador e os ataques de Trump são sistemáticos, mas se intensificaram com a guerra contra o Irã. Parceiros tradicionais dos EUA se distanciaram do conflito, levando o presidente a revidar a frustração.
Na segunda-feira, ele alertou que bombardearia Omã “até não sobrar mais nada”, caso o sultanato, que atua como mediador, atrapalhasse as negociações entre EUA e o regime teocrático para a reabertura do Estreito de Ormuz.
A fúria de Trump se explicava pelo fim do prazo de 60 dias do memorando de entendimento com a República Islâmica, classificado por ele como o maior acordo já firmado com o Oriente Médio. No entanto, a resolução não surtiu o efeito esperado,para pôr fim à guerra de seis meses e ao impasse para desbloquear a via marítima, responsável por 20% do comércio mundial.
Trump se esforçou para exibir musculatura nas redes sociais, publicando a imagem do Estreito de Ormuz com a legenda “Novo Território dos EUA”, como fez anteriormente com o Canadá e a Groenlândia.
