A economia brasileira continua perdendo fôlego, segundo avaliação do Santander em novo relatório sobre o cenário macroeconômico do país.
O banco revisou a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2026 para 4,9%, mantendo a estimativa de 4% para 2027.
Em entrevista ao CNN Money, o head de macroeconomia da instituição, Marco Antônio Caruso, afirmou que a taxa Selic elevada está produzindo os efeitos esperados sobre a atividade econômica.
Segundo Caruso, a tendência da inflação ligada à demanda e à oferta aponta para baixo.
“Os juros altos que a gente tem praticado estão começando a fazer o efeito que era esperado: desacelerar a economia e, consequentemente, começar a trazer os preços para baixo”, afirmou.
Como exemplo, ele citou o setor de serviços, que vinha registrando patamares elevados de inflação, mas começa a perder fôlego. A projeção é de que a inflação de serviços em 2026 seja menor do que a de 2025.
Apesar da tendência desinflacionária, Caruso destacou que há fatores de incerteza no horizonte. O fenômeno El Niño pode impactar os preços de alimentos e de energia, dependendo do regime de chuvas na região central do país.
“Itens mais voláteis ligados a alimentos e El Niño também podem pegar no preço de energia”, alertou.
Por isso, o banco projeta uma reaceleração da inflação em 12 meses, saindo dos atuais 4,4% até atingir os 4,9% estimados para o fechamento de 2026.
