A elevação das temperaturas associada ao avanço do fenômeno climático El Niño tem gerado alertas de especialistas médicos sobre os riscos diretos para a saúde do cérebro. O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial pode intensificar as ondas de calor, exigindo um esforço severo do organismo para regular a temperatura interna.
Esse estresse térmico prolongado está diretamente associado ao aumento de ocorrências neurológicas graves, como o acidente vascular cerebral (AVC) e o chamado “golpe de calor”.
O cérebro sofre impactos diretos com o aumento da temperatura corporal e a consequente perda de líquidos. De acordo com o neurologista Dr. Maurício Hoshino, do Hospital Santa Catarina, a desidratação severa reduz a perfusão cerebral, diminuindo o fluxo de sangue no órgão.
Essa perda de água e de eletrólitos essenciais provoca a chamada hemoconcentração, um processo que torna o sangue mais denso e eleva a propensão para a formação de coágulos. Esse cenário clínico aumenta as chances de obstruções vasculares, gerando o AVC isquêmico (entupimento das artérias) ou o AVC hemorrágico (rompimento de vasos sanguíneos).
Além disso, o “golpe de calor” destaca-se como a complicação neurológica mais grave decorrente do estresse térmico, sendo classificada como uma emergência médica. A condição pode provocar:
Edema cerebral;
Convulsões;
Alteração súbita no nível de consciência;
Complicações sistêmicas generalizadas.
