A postura coercitiva dos Estados Unidos em relação ao Irã, tanto no campo militar quanto no econômico, tende a agravar o choque de oferta que a economia americana já enfrenta. A avaliação é de Marcello Estevão, economista do IIF (Institute of International Finance), em entrevista ao WW desta quinta-feira (20).
A análise ocorre em um contexto de crescente pressão inflacionária nos Estados Unidos, onde o Fed tenta compreender as forças que atuam sobre os preços da economia, e no mesmo dia em que o país registrou, pela primeira vez na história, US$ 40 trilhões em dívidas públicas.
Choque de oferta e preço do petróleo
Para Estevão, uma posição ainda mais rígida dos Estados Unidos em relação ao Irã resultaria, inevitavelmente, em uma elevação do preço do petróleo. “Uma posição mais rígida em relação ao Irã vai simplesmente aumentar o choque de oferta”, afirmou.
Segundo ele, esse cenário seria prejudicial não apenas para o restante do mundo, mas também para a própria economia americana, que já convive com múltiplos choques simultâneos.
O economista ressaltou que o momento é especialmente delicado: “Ter um choque acima de tudo isso seria muito ruim para a economia americana.”
A inflação está no centro dos debates nos meios econômico-financeiros, e o Fed, com novo comando, ainda tenta calibrar suas respostas diante das pressões em curso.
