A eletrificação dos carros brasileiros está avançando mais rápido do que a formação de profissionais capazes de fazer a manutenção dessa nova frota. Enquanto elétricos e híbridos ganham espaço nas ruas, oficinas precisam se adaptar a veículos que combinam alta tensão, baterias, eletrônica de potência, sensores, software e sistemas de diagnóstico.
O gargalo já chegou às montadoras. A Ford lançou esta semana o Ford Enter Auto, programa gratuito de capacitação em parceria com SENAI e Rede Cidadã para formar profissionais em manutenção de veículos a combustão, híbridos e elétricos. As primeiras turmas terão 36 vagas, em São Paulo e Salvador, com previsão de expansão para outras três localidades e cerca de 100 novas vagas em 2027.
O movimento não é exclusivamente brasileiro. No Reino Unido, o Institute of the Motor Industry estima que a demanda por técnicos qualificados para veículos elétricos poderá superar a oferta em mais de 44 mil profissionais até 2035, caso o ritmo atual de formação seja mantido.
No Brasil, a urgência acompanha o crescimento da frota. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), 16% dos veículos leves vendidos no primeiro semestre de 2026 já eram eletrificados. Em junho, a participação chegou a 18%. A frota acumulada de veículos elétricos plug-in, entre modelos 100% elétricos e híbridos plug-in, já havia ultrapassado 505 mil unidades em maio.
A mudança altera também o perfil do profissional.
