O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), assinou os despachos para encaminhar às comissões do Senado propostas de interesse do governo, entre elas a PEC do fim da jornada 6×1.
A medida deve seguir diretamente para a CCJ e, posteriormente, ao Plenário, após a definição dos relatores. O avanço da proposta acende um alerta no setor da construção civil.
Eduardo Aroeira, da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), avalia que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho é legítima, mas questiona o momento e a forma como ela está sendo conduzida.
“É importante ressaltar que não se discute a importância da qualidade de vida do trabalhador. O que se discute é o momento em que se é proposto isso”, afirmou. Para ele, por ser proposta em ano eleitoral, a discussão corre o risco de perder profundidade em razão de motivações políticas.
Impacto direto na construção civil
Aroeira detalhou os efeitos práticos que a aprovação da PEC, nos moldes em que saiu da Câmara dos Deputados, teria sobre o setor. Segundo ele, a mudança exigiria a contratação imediata de mais de 300 mil trabalhadores, em um segmento que já enfrenta séria escassez de mão de obra.
“Nos últimos 12 meses, o aumento da mão de obra nas nossas obras supera mais que o dobro do IPCA”, disse, destacando que já existe pressão inflacionária no setor antes mesmo de qualquer alteração na escala de trabalho.
