As mulheres são maioria do eleitorado brasileiro, com cerca de 83,9 milhões de títulos, o equivalente a 53% do total, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). As candidaturas femininas, no entanto, seguem abaixo de 35%. A doutora em Direito Constitucional pela USP Luciana Oliveira Ramos comenta o desafio da representatividade feminina, ao Live CNN.
A representação feminina nos espaços de poder político permanece drasticamente baixa: apenas 19% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 20% no Senado Federal são ocupadas por mulheres.
Divisão sexual do trabalho e falta de apoio partidário
Segundo Luciana Oliveira Ramos, o primeiro obstáculo é de natureza estrutural. “As mulheres, para além do trabalho remunerado, elas ainda precisam zelar pelo trabalho de cuidado com os filhos, com a casa e com uma série de familiares também”, explicou.
Essa dinâmica, conhecida como divisão sexual do trabalho, sobrecarrega as mulheres e reduz o tempo e a energia disponíveis para a atuação política.
Além disso, Luciana destacou a ausência de suporte por parte dos partidos políticos. “Falta apoio, falta estrutura, falta de fato uma preocupação em incluir outras pessoas diferentes daquelas que já estão lá, que em geral são os homens brancos de meia idade”, afirmou.
