A nova onda de nacionalismo de recursos está mudando a economia dos minerais críticos, como lítio, níquel e cobalto, que são hoje a espinha dorsal de baterias e de outras tecnologias da transição energética. Mais do que o teor do minério ou a posição na curva de custo, o fator decisivo passou a ser o país em que o projeto está e o ambiente regulatório em torno dele.
Esse tema vem ganhando espaço em fóruns públicos e privados, dentro e fora do Brasil. Em encontros recentes, em Washington e em Belo Horizonte, dedicados à cadeia global de baterias e aos minerais críticos, uma percepção se consolidou entre empresas, investidores e autoridades: em poucos segmentos a qualidade das instituições pesa tanto, hoje, quanto na mineração de minerais críticos. A discussão deixou de ser apenas técnica para se tornar também institucional.
Os exemplos se multiplicam. No Zimbábue, a suspensão imediata das exportações de lítio, incluindo cargas já em trânsito, alterou de forma abrupta a lógica de negócios de produtores e consumidores. Na República Democrática do Congo, a combinação de proibição de exportações e cotas posteriores no cobalto afetou o abastecimento de um insumo essencial para a indústria. Na Indonésia, mudanças sucessivas em regras para o níquel, com cortes significativos em cotas de produção, forçaram a revisão de planos de investimento.
