A dívida pública em patamares recordes nas Américas vem produzindo efeitos desproporcionais sobre o custo de financiamento dos governos e sobre as expectativas de inflação, segundo análise do BIS (Banco de Compensações Internacionais, em inglês).
O estudo indica que, com endividamento elevado e despesas maiores com juros, os mercados reagem de forma mais intensa a déficits fiscais, e a alta do prêmio de risco se transmite com mais força para a inflação esperada, complicando a condução da política econômica.
Na região, a dívida do setor público alcançou máximas de várias décadas após sucessivos choques e esforços limitados de consolidação fiscal.
Episódios como a década perdida dos anos 1980 e, mais recentemente, a pandemia de covid-19 levaram o endividamento aos maiores níveis desde 1960 em muitos países emergentes latino-americanos.
O cenário atual, marcado por preços de energia mais altos e pressão por medidas de apoio a famílias e empresas, acrescenta tensão às contas públicas.
Além do tamanho da dívida, o BIS chama atenção para a escalada do custo de carregamento, isto é, o gasto com juros, que em geral aumentou na última década e, em vários casos, avançou mais do que as receitas fiscais.
A instituição observa que dívida e juros nem sempre caminham juntos.
Inflação mais alta, depreciação cambial e elevação dos juros básicos podem aumentar a despesa com o serviço da dívida mesmo sem grande mudança no estoque.
