A IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado Federal divulgou, nesta quinta-feira (20), o RAF (Relatório de Acompanhamento Fiscal) de agosto, no qual aponta que o quadro fiscal brasileiro permanece “inalterado” em sua essência, com as despesas crescendo em ritmo superior ao das receitas.
A avaliação ocorre a menos de dois meses da eleição presidencial, colocando o orçamento no centro do debate político.
De acordo com o relatório nº 115, o déficit primário estrutural, que exclui eventos não recorrentes e ajusta o saldo ao ciclo econômico, alcançou 1,4% do PIB no acumulado de quatro trimestres até junho de 2026.
O número revela uma deterioração significativa em relação ao mesmo período de 2025, quando o déficit estrutural era de 0,7% do PIB.
Os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, destacam que, embora a equipe econômica venha se empenhando na gestão cotidiana, o país necessita de um ajuste estrutural mais profundo e sustentável.
“As despesas obrigatórias e discricionárias rígidas crescem, contínua e velozmente, sobre a margem de liberdade do governo”, alertam no documento.
Nos primeiros sete meses de 2026, a receita primária líquida registrou um aumento real de 6%, impulsionada em parte pela alta nos preços do petróleo devido a conflitos no Oriente Médio.
Contudo, no mesmo período, as despesas subiram 6,3% em termos reais. A IFI e o governo projetam um déficit primário efetivo de 0,4% do PIB para este ano.
