A cooperação internacional é indispensável para o combate ao crime organizado no Brasil, segundo avaliação do ex-ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Sergio Etchegoyen, ao WW. O general comentou a possível participação americana no enfrentamento ao crime organizado no país e os limites dessa parceria.
Ao ser questionado sobre o cenário em que Flávio Bolsonaro (PL) fosse eleito, dado o entusiasmo demonstrado por ele pela designação de grupos criminosos como organizações terroristas e pela realização de ações conjuntas com militares americanos em território brasileiro, Etchegoyen foi categórico ao avaliar os limites jurídicos da proposta.
Segundo o ex-ministro-chefe do GSI, a classificação de organizações criminosas como terroristas atende ao interesse e à legislação americana, mas não encontra respaldo no marco legal brasileiro. “A nossa lei não acolhe, o nosso marco legal não admite, eu não vejo o que possa mudar aqui dentro”, afirmou.
EUA tentam estender sua legislação ao Brasil
Etchegoyen avaliou que a designação de grupos como terroristas representa uma medida unilateral por meio da qual os Estados Unidos tentam dar extraterritorialidade à sua legislação. “Isso não vai acontecer, como em outras coisas não aconteceram”, disse.
No entanto, ele reconheceu que essa influência pode ocorrer de forma indireta, por meio de leis restritivas como a Lei Magnitsky e sanções aplicadas pelos americanos.
