A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) chegou à fase oficial dividida entre duas estratégias: de um lado, o candidato tenta manter a imagem mais moderada que foi vendida durante a pré-campanha, voltada principalmente aos indecisos e eleitores de centro. Do outro, aumentou o tom, recuperou pautas tradicionais do bolsonarismo e voltou a colocar o pai, Jair Bolsonaro, no centro do discurso.
A reportagem da Jovem Pan conversou ao longo dos últimos meses com integrantes da campanha e aliados próximos ao senador. Desde o início do ano, a avaliação dentro do grupo era de que Flávio precisaria encontrar uma fórmula para aproveitar a força eleitoral do sobrenome Bolsonaro sem herdar integralmente a rejeição do ex-presidente.
O projeto ganhou nos bastidores o apelido de “bolsonarismo light”.
Mais pragmático que os irmãos, Flávio construiu no Congresso uma relação de diálogo com parlamentares do centro e até da esquerda. A característica passou a ser explorada como contraponto ao estilo mais confrontador do pai.
A tentativa de construir o “Amigo Flávio” passou também pela comunicação. O senador apareceu dançando ao som do “Funk do 01” e chegou a usar linguagem neutra em uma publicação nas redes sociais. As duas iniciativas provocaram reação de setores conservadores. O funk chegou a ser abandonado como jingle, mas já voltou a ser tocado em eventos, e o uso de termos como “todes” não se repetiu.
