Durante muito tempo, passar o fim de semana em casa, sem nenhum plano de sair, era apenas questão de preferência. Hoje, esse hábito parece ter virado rotina de uma geração inteira: levantamentos recentes mostram a Geração Z como uma das mais reclusas e solitárias da história moderna.
É nesse cenário que psicólogos vêm recorrendo ao termo hikikomori, cunhado no Japão para descrever jovens que se isolam completamente em seus quartos por seis meses ou mais, para nomear casos graves de isolamento social, impulsionados pela dependência extrema da internet, ansiedade e fobia social pós-pandemia.
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Mas há uma diferença importante entre o quadro extremo e o comportamento que começa a chamar a atenção de especialistas no Brasil. Enquanto o hikikomori envolve reclusão social quase total e prolongada, evitar encontros presenciais ou resolver quase tudo pela tela pode representar apenas uma mudança no modo de se relacionar.
Para Ticiana Paiva, doutora em Psicologia e head da área na Starbem, plataforma de saúde digital, a diferença é essa: isolamento não é, por si só, o problema. O alerta vem quando ficar em casa deixa de ser escolha e vira fuga de situações que geram ansiedade, desconforto ou medo da rejeição.
