O Federal Reserve divulgou, nesta quarta-feira (19), a ata de sua última reunião de política monetária. O documento revelou que os dirigentes da instituição discutiram os riscos relacionados à volatilidade no mercado de Treasuries e à rápida expansão das infraestruturas de inteligência artificial no sistema financeiro.
Em entrevista ao CNN Money, o estrategista-chefe da Avenue, Will Castro Alves, avaliou que a ata reforça um cenário já conhecido: o de um Fed internamente dividido. “Os dirigentes do Fed têm visões realmente diferentes”, afirmou, acrescentando que essa divisão não é novidade.
Segundo ele, o ponto central do debate continua sendo se é necessário elevar os juros para controlar uma inflação que, há mais de 60 meses, não retorna à meta estabelecida pela instituição.
Castro Alves destacou que o mercado de trabalho americano tem apresentado “sinais dúbios, sinais de arrefecimento”, o que torna ainda mais complexa a tarefa dos dirigentes do Fed.
Além disso, choques de oferta, conflitos geopolíticos e os impactos da inteligência artificial sobre a inflação são fatores que contribuem para a incerteza. “Por isso a gente está vendo um Fed dividido”, concluiu o analista.
Sobre o tom da ata, Will Castro Alves considerou o documento levemente mais hawkish, mas ressaltou que ele não trouxe mudanças concretas.
“A ata reforça a ideia de uma postura mais hawkish do Banco Central americano, mas a gente ainda não viu o aumento de juros”, disse.
