Durante décadas, a tecnologia prometeu nos tornar pessoas mais produtivas. E cumpriu, pelo menos em parte. Automatizamos processos, aceleramos análises, reduzimos tarefas operacionais e encurtamos caminhos que antes consumiam horas.
Agora, a inteligência artificial leva essa promessa a outro patamar.
Relatórios são resumidos em minutos. Apresentações ganham versões iniciais em segundos. Reuniões são transcritas automaticamente. Dados são organizados sem esforço humano. Boa parte do trabalho que ocupava a agenda de líderes está sendo executada com uma velocidade inédita.
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Agora, a pergunta não é mais o que a IA consegue fazer. É o que faremos com o tempo que ela está devolvendo.
Essa é uma discussão que me parece pouco explorada. Quando falamos sobre inteligência artificial, quase sempre a conversa gira em torno de eficiência, produtividade e redução de custos. Quase nunca discutimos o destino desse tempo economizado.
Porque existe um risco muito grande aqui: o de preencher cada minuto livre com mais trabalho.
Mais reuniões. Mais demandas. Mais metas. Mais urgências. Como se o único propósito do ganho de produtividade fosse produzir ainda mais.
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É uma lógica que faz sentido em um primeiro olhar, mas que pode nos levar exatamente ao lugar que estamos tentando evitar: lideranças exaustas, agendas congestionadas e uma sensação permanente de insuficiência.
