Há histórias que chegam até uma coluna de ESG através de um relatório de sustentabilidade. Outras chegam através de um homem que vai atravessar quase quatro mil quilômetros de litoral brasileiro puxado apenas pelo vento. As duas, no fundo, falam da mesma coisa: o que fazemos quando um recurso que parecia infinito começa a mostrar limite.
Em 22 de agosto, o economista, empresário e ex-executivo de RH Marco Dalpozzo parte de Salvador rumo a Macapá em kitefoil, ao lado dos velejadores Said Selvagem e Wandeson Sousa. São 40 dias de navegação, sem motor, movidos exclusivamente pela força do vento. É a quarta edição da expedição Onde o Vento Levar, projeto da Surfing Sem Fim, empresa que Marco fundou depois de anos circulando por multinacionais como Unilever, Vale e L’Oréal. Italiano radicado no Brasil há 30 anos, ele soma a essa trajetória corporativa um olhar de quem escolheu o país como casa e decidiu conhecê-lo pela água.
A rota leva o trio até a Amazônia Atlântica, região que voltou ao centro do noticiário neste mês. Em agosto, a Petrobras confirmou a descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, a 175 km da costa do Amapá. A notícia reacendeu um debate que já não é novo: de um lado, o potencial de reserva num momento em que o país busca repor produção; de outro, os riscos para um dos ecossistemas mais sensíveis do litoral brasileiro, com manguezais extensos e recifes ainda pouco mapeados pela ciência.
