As mulheres no Brasil dedicam, em média, quase o dobro do tempo em comparação aos homens a atividades de cuidado não remuneradas. Durante o Live CNN desta quarta-feira (19), Maíra Machado, socióloga e diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, analisou os impactos da chamada “jornada dupla” na vida das mulheres.
Os dados do IBGE, com base na PNAD Contínua de 2022, revelam uma diferença de 10 horas semanais, o que equivale a 40 horas a mais por mês, entre a jornada feminina e a masculina em atividades como afazeres domésticos, cuidado de filhos, idosos e pessoas com deficiência.
Segundo Maíra, os números retratam apenas a execução das tarefas, mas existe uma dimensão ainda maior que não é contabilizada. “Tem também algo que é feito essencialmente por mulheres, que é o trabalho de gestão dos cuidados, a responsabilidade por esses cuidados”, afirmou.
Ela exemplificou: quando uma criança adoece, é a mulher quem, na maioria das vezes, falta ao trabalho remunerado para prestar o cuidado necessário. Ela explicou que esse fenômeno leva o nome de “carga mental“.
“Que é feito como se fosse algo natural, que é a mulher que tem que fazer”, disse.
Impactos no mercado de trabalho
A sobrecarga com os cuidados tem reflexos diretos na trajetória profissional das mulheres. Ainda de acordo com os dados do IBGE, a taxa de participação no mercado de trabalho de mulheres com crianças de até 6 anos é de 56%. Entre os homens com filhos nesta mesma faixa etária, o índice chega a 89%.
