Flávio Bolsonaro tem cara de menino bonzinho, daqueles criados em apartamento fechado aos cuidados da vovó. Mesmo nos momentos em que é atacado pelos opositores, procura quase sempre responder com fala moderada, sem se exaltar. Nas vezes em que tentou falar mais grosso, demonstrou que precisava se esforçar, que interpretava uma personagem. Herdou do pai um eleitorado que lhe dá chances de vencer as eleições presidenciais. Busca, entretanto, se afastar da imagem mais beligerante do ex-presidente, adotando um perfil moderado, tratando a todos de forma gentil e cordata. Seus adversários perceberam que esse figurino sereno pode trazer vantagens ao candidato e, por isso, dizem que tudo não passa de fachada, que no fundo ele não é assim.
O eleitorado feminino
Há uma parcela do eleitorado que Flávio ainda não conseguiu conquistar totalmente, o público feminino. Seu desempenho tem melhorado, mas ainda pode ser considerado seu calcanhar de Aquiles. Segundo pesquisa do Datafolha, publicada no dia 24 de julho, 50% das mulheres afirmam que não votariam nele de jeito nenhum, enquanto 44% delas não dariam seu voto ao atual presidente.
Esse resultado, comparado com a pesquisa de junho, foi bem melhor. A diferença entre eles era de 13%, agora caiu para 6%. Lula manteve a mesma rejeição, enquanto Flávio melhorou, com queda de 57% para 50%. Mesmo assim, são números que atrapalham o candidato do PL, pois ajudam a explicar a rejeição geral, que é de 48% para Lula e 46% para Flávio.
