Os Estados Unidos não conseguem oferecer uma contrapartida equivalente ao que a China proporciona à América Latina, segundo avaliação do CEO da Arko Advice Internacional, Thiago de Aragão, ao WW. Segundo o especialista, Washington parte de premissas equivocadas ao tentar ampliar sua influência no hemisfério.
De acordo com Aragão, há uma leitura por parte de Donald Trump de que todos os países da região teriam um desejo intrínseco e de alto nível de expandir suas relações com os Estados Unidos. “Isso pode ser certo, pode ser errado, pode variar de país a país”, afirmou. O problema, segundo ele, está no mecanismo de aproximação adotado por Washington.
Washington superestima o valor de sua validação
Aragão explica que Washington interpreta, com frequência, que governantes e líderes da oposição latino-americanos buscam validação norte-americana e que essa validação teria um valor muito alto.
Na prática, porém, haveria uma discrepância significativa entre o que Washington imagina que essa validação vale e o que as capitais latino-americanas efetivamente percebem. “O preço dessa validação seria feito de uma forma onde você abriria mão de vários níveis de relacionamento com a China“, disse o especialista.
Um ponto central destacado por Aragão é a diferença estrutural entre as duas potências. “Como uma democracia, os Estados Unidos não conseguem obrigar as suas indústrias a investir em determinado país”, afirmou.
