A descoberta de petróleo em um poço na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, é uma notícia "animadora" e que tem potencial de alavancar o papel global do Brasil, mas ainda está cercada de incertezas técnicas e de dúvidas sobre quem se beneficiará da riqueza que pode ser gerada, afirma Ildo Sauer, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP e ex-diretor da Petrobras.
Em entrevista à BBC News Brasil, Sauer questionou a ideia defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que o achado na Margem Equatorial é um "passaporte para o futuro do Brasil".
Segundo o engenheiro, essa mesma expressão foi usada antes do início da exploração comercial do pré-sal brasileiro em 2006, mas o modelo de exploração adotado nos últimos 20 anos impediu que a previsão se concretizasse.
"Não foi um passaporte para o futuro", diz. "Os recursos do pré-sal foram queimados até agora."
Sauer defende há anos o maior controle estatal, por meio da Petrobras, da exploração do petróleo no Brasil, com uso dos lucros para o desenvolvimento nacional.
"A minha defesa sempre foi de usar os recursos do petróleo para financiar um plano nacional de desenvolvimento econômico e social", disse à BBC.
"Investir na educação pública, na saúde pública, resgatar previdência, fazer a reforma urbana, fazer a reforma agrária, investir decisivamente em tecnologias e sistemas que possam propiciar uma transição lenta e gradual que é necessária para não mais dependermos dos fósseis no futuro.
