Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão divididos sobre os efeitos da entrada de Pablo Marçal (PRTB) na disputa pela Presidência da República. A avaliação comum entre interlocutores, no entanto, é que a candidatura do ex-coach não deve provocar impacto negativo direto sobre Lula e que ela será barrada pela Justiça Eleitoral.
Marçal entrou na disputa pelo Palácio do Planalto de última hora, no último dia para o registro das candidaturas. O ex-coach responde a um processo de inelegibilidade e ainda precisará passar pelo crivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para manter a candidatura.
Na cúpula petista, a entrada de Marçal é analisada por dois cenários. O primeiro é considerado positivo para Lula: a candidatura poderia pulverizar os votos e atrair parte do eleitorado indeciso para Pablo Marçal, arrancando esses votos de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Como Lula lidera as pesquisas, a avaliação é que a divisão desse eleitorado poderia favorecer o presidente.
Outro grupo, porém, vê um impacto mais limitado. A avaliação é que Marçal perdeu credibilidade após os ataques e a divulgação de um laudo falso contra Guilherme Boulos (PSOL) durante as eleições municipais de 2024. Por esse motivo, interlocutores afirmam que, pelo perfil político do ex-coach, a tendência é que ele não retire votos diretamente de Flávio e tampouco do próprio Lula.
