Dados da Receita Federal mostram que há um aumento exponencial de apreensões de canetas, seringas e frascos com semaglutida e tirzepatida na fronteira do Brasil com o Paraguai, em Foz do Iguaçu, no Paraná.
Mais de 76 mil unidades foram apreendidas no primeiro semestre de 2026, enquanto em 2025 a Receita capturou 24 mil medicamentos.
Da pouca demanda ao lucro bilionário em um ano
A fronteira entre Brasil e Paraguai, via Ponte da Amizade entre as cidades de Foz do Iguaçu em Cidade do Leste, é tradicionalmente conhecida como uma das principais portas de entrada para o contrabando de cigarros, eletrônicos, armas e, agora, de medicamentos para emagrecer.
Segundo a Receita Federal, o preço médio de uma ampola de tirzepatida, remédio para o tratamento de diabetes tipo 2 e amplamente usado para emagrecimento, é de R$ 340 no país vizinho. É um valor muito distante do Mounjaro, que é encontrado a partir de R$ 1.400 no Brasil.
Além do preço, o Mounjaro tem a venda regularizada no Brasil, enquanto as marcas paraguaias não são autorizadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Em janeiro e fevereiro de 2025, as apreensões de canetas emagrecedoras eram tão baixas que os itens sequer tinham um registro único de captura das autoridades brasileiras. Porém, a Receita percebeu que houve um crescimento na procura pelos itens a partir dali.
O primeiro grande confisco foi em março de 2025, no valor de R$ 2.262,45.
