A percepção dos investidores estrangeiros sobre o Brasil deteriorou-se de forma significativa nas últimas semanas.
Somente no mês de agosto, esses investidores retiraram R$ 18,1 bilhões em ações da B3, incluindo R$ 2,5 bilhões apenas no pregão do dia 14 de agosto, quando o Ibovespa registrou queda de 0,1%. O movimento resultou em 10 pregões consecutivos de queda do índice até aquela data.
Movimento vai além da Bolsa
A analista Lucinda Pinto destacou que a fuga de capital não se restringe ao mercado acionário.
“O que está acontecendo é que, além dessa saída toda de dinheiro da Bolsa, a gente está vendo uma piora também de preços, por exemplo, de bonds, que são os títulos de dívida emitidos pelas companhias no exterior”, afirmou.
Segundo ela, gestores com quem conversou confirmaram uma perda de valor desses papéis no mercado secundário desde a última sexta-feira (14).
Lucinda Pinto apontou que episódios envolvendo empresas como Raízen e Braskem contribuíram para abalar a confiança dos investidores internacionais nas companhias brasileiras.
A Raízen, classificada como high grade, passou por sérios problemas com sua dívida e iniciou um processo de reestruturação com venda de ativos.
“Depois desses episódios, parece que o investidor deixou de dar o benefício da dúvida para as companhias brasileiras”, avaliou a analista.
Mais recentemente, o pedido de recuperação judicial das Casas Bahia também foi citado como um evento emblemático desse cenário de dificuldades.
