O IBC-Br, indicador bastante correlacionado com o PIB, apresentou variação negativa em junho de 2026. A retração foi puxada por serviços (-0,5%) e indústria (-1,4%). Na contramão, a alta de 1,0% na agropecuária freou uma queda ainda maior do índice divulgado pelo Banco Central.
Apesar da resiliência do mercado de trabalho e do aquecimento de alguns setores específicos, como construção civil - baixa e alta renda -, é notória a desaceleração em curso da economia brasileira. Juros elevados, e incertezas fiscais e eleitorais, contaminam as expectativas dos empresários, freando investimentos, o que gera um menor crescimento da economia brasileira.
Para 2027, esses efeitos deverão se intensificar, trazendo impactos inclusive no mercado de trabalho. Geralmente a taxa de desemprego reage com defasagem à atividade econômica, por conta dos custos de admissão, demissão e treinamento.
Situação parecida ocorreu durante o final do governo Dilma 1. Em 2014, também ano eleitoral, o mercado de trabalho estava ainda aquecido, mas a atividade econômica dava claro sinais de desaceleração em decorrência da deterioração fiscal. Sem surpresas, em 2015, a taxa de desemprego se elevou fortemente.
Se o passado é um bom guia, é possível fazer inferências do que deverá ocorrer com o mercado de trabalho em 2027.
