Um estudo da consultoria econômica LCA colocou em dúvida a metodologia utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para calcular a variação dos preços das corridas por aplicativos no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O questionamento ocorre depois de o transporte por aplicativo registrar alta de 56,08% em 2025, a maior variação anual já registrada para o serviço.
O cálculo do IBGE considera preços coletados automaticamente por meio de robôs. Segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, o instituto simula várias vezes ao dia, durante todo o mês, viagens em horários e trajetos previamente definidos. Os valores são então utilizados para calcular uma média mensal e comparados com os preços do mês anterior.
Empresas questionam transparência do IBGE
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Uber e 99, já havia questionado a metodologia. A entidade afirma que não são divulgadas informações sobre quais empresas participam da coleta nem qual é o peso de cada plataforma no cálculo do índice.
O IBGE, por sua vez, explica que mantém em sigilo os horários, trajetos e empresas pesquisados para evitar que os resultados sejam influenciados pelas plataformas. A coleta ocorre por web scraping, ferramenta que permite extrair automaticamente informações disponíveis nos aplicativos e sites.
