Durante décadas, o modelo cosmológico padrão tratou a energia escura como uma constante responsável por acelerar a expansão do Universo. Resultados do Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI) divulgados em 2025, no entanto, abriram uma possibilidade intrigante: talvez esse componente misterioso não seja constante e esteja mudando ao longo do tempo.
A segunda liberação de dados do DESI (DR2), baseada nos três primeiros anos de observações, mostrou compatibilidade com o modelo padrão da cosmologia (ΛCDM), que considera a energia escura constante. Ao mesmo tempo, os resultados indicaram uma preferência pela possibilidade de que ela evolua ao longo da história do Universo.
No estudo publicado em 19 de março do ano passado, a colaboração DESI combinou os dados da DR2 com observações da radiação cósmica de fundo e três conjuntos de supernovas do tipo Ia. Dependendo da amostra utilizada, a análise encontrou uma preferência de 2,8 a 4,2 sigma por um modelo em que a energia escura pode evoluir.
Esse resultado não significa que o DESI tenha descoberto uma nova forma de energia. A significância estatística ainda está abaixo do patamar de 5 sigma normalmente associado a uma descoberta na física. Além disso, a própria análise depende da combinação de diferentes conjuntos de dados e da maneira como o comportamento da energia escura é descrito matematicamente.
É justamente nesse ponto que trabalhos publicados posteriormente começaram a reexaminar a interpretação dos dados.
