Pivô de um escândalo que lançou suspeitas sobre autoridades do Maranhão, Gilbson Júnior, condenado por homicídio, afirmou em depoimento que frequentava o Palácio dos Leões, sede do Executivo estadual, para fazer reuniões com o governador Carlos Brandão (MDB) e seu sobrinho, Daniel Brandão.
"Eu tinha uma vaga [de garagem] no Palácio dos Leões. Eu chegava, entrava, a vaga número 6", disse.
Gilbson Júnior também implicou um desembargador do estado em um suposto pagamento para que ele permanecesse em silêncio (leia mais abaixo).
Gilbson Júnior foi condenado por matar um homem em um centro comercial de São Luís em agosto de 2022. Segundo decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), há indícios de que o homicídio esteja relacionado à divisão de propinas no estado.
Carlos Brandão e Daniel Brandão
Divulgação e divulgação/TCE-MA
O depoimento foi prestado por Gilbson Júnior a uma delegada da Polícia Federal (PF) e um procurador da República em 24 de junho de 2025, no âmbito da investigação que, naquele momento, tramitava no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O caso subiu para o STF em outubro passado, e o ministro Flávio Dino foi sorteado para ser o relator.
Os trechos do depoimento estão transcritos em uma decisão sigilosa de Dino, de novembro de 2025, a que o g1 teve acesso, que fixou a competência do STF para acompanhar as investigações do caso.
Autor de assassinato no Maranhão disse em depoimento que tinha reuniões com governador no Palácio
