A violência contra a mulher no Brasil segue registrando números alarmantes e exige atenção redobrada de quem ocupa ou vier a ocupar cargos públicos.
Em entrevista ao Live CNN desta terça-feira (18), a doutora em Antropologia pela USP Beatriz Accioly destacou que o enfrentamento do problema depende de uma articulação ampla entre diferentes setores da política pública.
Accioly citou a Pesquisa Nacional da Violência contra a Mulher, realizada bianualmente pelo Datasenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, para ilustrar a dimensão real do problema.
“Essa pesquisa estima que a gente tem uma demanda anual de 29 milhões de mulheres no Brasil, acima de 16 anos, passando por violência doméstica familiar. Esse é o tamanho da demanda, nem perto desse número chega ao Estado”, afirmou.
A especialista também apontou que muitas mulheres têm dificuldade de nomear e declarar as violências que sofrem.
“O número é ainda maior entre aquelas que, primeiramente, não respondem que passaram por violência, mas depois, quando são apresentadas por uma série de situações, aí sim reconhecem que viveram algum tipo de violência nos últimos 12 meses”, explicou.
Para ela, a sociedade entrou em um patamar estável de resposta ao problema e não tem conseguido avançar.
