O ex-comandante da FAB (Força Aérea Brasileira) Carlos Baptista Junior afirma que o risco de golpe no fim de 2022 foi iminente e que temia uma ruptura dentro do Exército. As revelações constam no seu novo livro, “Eu disse não -Uma trincheira antigolpista”, publicado pela Editora Autêntica, com lançamento previsto para setembro de 2026.
O brigadeiro, já na reserva, relatou em entrevista à Folha de S.Paulo os bastidores de reuniões fechadas em que o então presidente Jair Bolsonaro (PL) pressionou os comandantes militares a reverter a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro de 2022. Segundo Baptista Junior, os encontros exploravam caminhos para impedir a posse do presidente eleito sem que fossem atendidos os pressupostos legais de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem), estado de defesa ou estado de sítio.
Pressão e risco de fragmentação militar
O brigadeiro disse ter temido, sobretudo, que alguma iniciativa do Exército saísse da linha traçada pelo general Freire Gomes, que adotava postura legalista. “As pressões foram muito grandes em cima de todos os comandantes militares. Eu temia por uma ruptura entre tropas”, declarou Baptista Junior. Ele afirmou conhecer a posição favorável ao golpe do almirante Garnier, então comandante da Marinha, mas ressaltou a incerteza sobre o almirantado como um todo.
Sobre a decisão de não dispersar os protestos golpistas concentrados em frente aos quartéis, o brigadeiro negou a omissão.
