Empresários e especialistas defenderam cautela na discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. Durante o evento Conecta TMC, realizado nesta segunda-feira, 17, em São Paulo, participantes não negaram que a redução da jornada pode representar um ganho social para os trabalhadores, mas alertaram que uma mudança desse porte exige estudos sobre os efeitos na produtividade, no emprego e nos custos das empresas.
O assunto foi discutido na mesa-redonda "Escala 6×1 e os desafios da economia brasileira", com representantes do varejo, do setor de alimentação e de shopping centers. O encontro também teve a participação da economista Zeina Latif.
Entre os integrantes do painel estavam Karina D’Ornelas, da varejista Riachuelo; Felipe Magrim, diretor de Políticas Públicas do aplicativo iFood; e Vander Giordano, conselheiro da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).
"A gente está sendo um pouco ousado", afirmou Zeina. "Os países que caminharam para reduzir a jornada de trabalho já tem uma produtividade alta. Esse não é o caso do Brasil, que é um país que está envelhecendo muito rapidamente e em breve vai ter falta de mão de obra. Já sentimos falta de mão de obra. É arriscado, o ideal seria não trazer esse debate em ano eleitoral."
Giordano chamou atenção para outro problema enfrentado diariamente pelos trabalhadores brasileiros: o tempo gasto nos deslocamentos entre a residência e o emprego.
