A busca por produtividade deixou de estar restrita ao ambiente de trabalho. A cobrança por desempenho também aparece no tempo livre, no lazer e até no momento de dormir. É um cenário associado pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han ao conceito de “Sociedade do Cansaço”, em que o indivíduo passa a cobrar de si mesmo resultados e desempenho.
Para o cientista social e historiador Joel Paviotti, a internet ampliou esse processo. Segundo ele, uma disciplina antes cobrada por instituições como escola e família passou a ser assumida pelo próprio indivíduo, que busca reproduzir modelos de vida considerados produtivos e bem-sucedidos nas redes sociais.
“O resultado é que, se o indivíduo falha, a culpa foi da falta de disciplina dele. Não é vista como uma falha institucional ou social”, explica Paviotti.
Essa cobrança também aparece na relação com o trabalho. Segundo o historiador, parte dos trabalhadores brasileiros, diante da falta de tempo livre, encontra no trabalho informal uma alternativa que parece oferecer mais autonomia. Na prática, porém, ele afirma que o trabalhador pode acabar submetido aos algoritmos dos aplicativos.
“Ele cai na cilada da economia informal, acreditando que não ter um patrão aumenta sua prosperidade.
