O agronegócio foi na contramão da economia brasileira em junho. Enquanto o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) recuou 0,64% na comparação com maio, a atividade agropecuária avançou 0,96% no mês. O resultado também foi melhor do que o registrado pela indústria e pelos serviços, que caíram 1,35% e 0,52%, respectivamente.
O desempenho coloca o campo entre os poucos segmentos capazes de oferecer sustentação à atividade econômica em um momento de perda de ritmo. No segundo trimestre, a agropecuária cresceu 0,33%, enquanto o IBC-Br como um todo avançou apenas 0,18%.
O resultado, porém, precisa ser lido com cautela. O indicador do Banco Central não é o PIB e o componente agropecuário do IBC-Br também não representa diretamente a variação da produção de todas as cadeias do setor. O BC utiliza indicadores que funcionam como aproximações da atividade agropecuária, permitindo acompanhar o comportamento do setor antes da divulgação das contas trimestrais do IBGE.
A perspectiva para o restante do ano é de continuidade desse papel de sustentação, embora em ritmo provavelmente mais moderado. A Conab estima uma produção de 360,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, volume recorde e 2,2% superior ao ciclo anterior. A soja, principal cultura brasileira, deve alcançar uma produção próxima de 175 milhões de toneladas.
Além da soja, o segundo semestre ainda concentra atividade de culturas como milho, cana-de-açúcar e café, além da pecuária.
