Sistemas autônomos de inteligência artificial (IA) podem recorrer à espionagem digital e à criação de programas maliciosos caso recebam ordens que entrem em conflito com o trabalho de outros robôs, revelou uma pesquisa divulgada pela Anthropic, empresa desenvolvedora dos modelos Claude, na quinta-feira (13). O estudo avaliou o comportamento de agentes digitais que operam de forma independente e demonstrou que a cooperação entre múltiplos sistemas não surge de forma automática com o avanço da tecnologia.
No principal experimento, os pesquisadores colocaram três instâncias de um mesmo modelo para trabalhar em um servidor compartilhado. Cada agente recebeu a tarefa de reescrever a base de código do sistema para uma linguagem de programação diferente (Rust, Go ou TypeScript), sem saber inicialmente da existência dos colegas virtuais. Ao longo de quatro horas de testes, os sistemas concluíram que as alterações alheias eram tentativas deliberadas de atrapalhar o trabalho e deram início a uma série de ataques mútuos.
A disputa envolveu a exclusão de contas de usuário dos rivais, a criação de comandos automáticos para encerrar processos concorrentes e a inserção de programas maliciosos que se espalhavam pelo sistema camuflados como tarefas legítimas. Em alguns casos, um dos agentes assumiu o controle total após revogar os acessos dos outros. Em outras situações, os robôs simplesmente desistiram de continuar a tarefa diante do impasse.
