As Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial, conforme fato relevante divulgado na noite de domingo (16). A decisão foi tomada em razão da piora das condições financeiras da companhia, que enfrenta um cenário de juros elevados, crédito restritivo e endividamento crescente.
Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, avalia que os fatores macroeconômicos, embora relevantes, afetam igualmente todos os concorrentes do setor. Para ela, o problema central da Casas Bahia é estrutural.
“No caso específico das Casas Bahia, o modelo de negócio se afastou do modelo dos principais concorrentes”, afirmou.
Segundo a especialista, a empresa ficou excessivamente ancorada no formato de loja física, cresceu pouco nos canais digitais e inovou de forma insuficiente.
Entre a recuperação extrajudicial anunciada em abril de 2024, no valor de R$ 4,1 bilhões, e o atual pedido de recuperação judicial, Tozzi observa que houve pouca transformação no modelo de negócio.
“Você viu, sim, muitas iniciativas de redução de custo, você viu iniciativas no modelo de logística, mas a agressividade necessária para que o modelo se encaixasse nos trilhos não existiu”, disse.
A especialista destacou ainda que, em abril de 2025, as notícias sobre a companhia giravam em torno de disputas no Conselho de Administração e discussões sobre a conversão de debêntures em participação acionária.
