Durante muito tempo, uma das grandes dificuldades da esclerose múltipla foi a espera. Uma pessoa apresentava um primeiro sintoma neurológico, visão embaçada, formigamento em um membro, fraqueza repentina, fazia exames, mas nem sempre havia elementos suficientes para confirmar imediatamente a doença. Em muitas situações, era necessário acompanhar o paciente por meses, até que surgisse uma nova manifestação clínica ou outra lesão na ressonância magnética. Esse intervalo de incerteza, além de gerar angústia, atrasava o início do tratamento. Isso está mudando de forma significativa.
Uma profunda revisão dos critérios internacionais utilizados para diagnosticar a esclerose múltipla, os chamados critérios de McDonald, incorporou novos conhecimentos sobre a doença e tecnologias que permitem reconhecer suas características com maior precisão. Em situações específicas, hoje é possível estabelecer o diagnóstico mais cedo, sem necessariamente esperar que a doença volte a se manifestar.
Essa mudança é importante porque, na esclerose múltipla, tempo também significa cérebro e medula preservados. Cada surto inflamatório deixa marcas; quanto mais cedo a doença for identificada e tratada, menor o acúmulo de danos irreversíveis.
Fibromialgia: por que existe tanta dificuldade no diagnóstico?
Por que era preciso esperar?
