O início das campanhas eleitorais dos presidenciáveis foi avaliado com ceticismo por Murillo de Aragão, cientista político e CEO da Arko Advice, ao WW. Para o analista, a disputa não será decidida por propostas, mas sim pelo volume de escândalos que cada lado acumulará ao longo do período eleitoral.
Segundo Aragão, a eleição terá como protagonistas cerca de 5 a 6 milhões de eleitores independentes, que não têm alinhamento fixo com nenhum dos campos em disputa. “Essa é uma eleição de escândalos, não é uma eleição de propostas. É uma eleição de vazamentos”, afirmou o analista.
Esses eleitores, segundo ele, tenderão a votar no candidato considerado o “menos pior” ou, ao contrário, no adversário daquele que mais rejeitam.
Aragão avaliou que nenhum dos lados apresenta uma narrativa capaz de mobilizar o eleitorado de forma ampla. No campo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o analista destacou que o candidato optou por não buscar o centro político, ficando “capturado no discurso nós contra eles”, agora revestido pela retórica da soberania nacional.
Já o lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo Aragão, trabalha com a narrativa de revolta contra o que teria acontecido com o pai, em um “campo de mágoa muito grande”.
Para o analista, o que efetivamente decidirá a escolha, salvo um acontecimento extraordinário, será o volume de escândalos e o quanto eles poderão danificar cada candidatura.
