O Grupo Pontal-Thopen pediu à Justiça a abertura de recuperação judicial com dívidas que somam R$ 4,56 bilhões, após fracassar uma tentativa de negociação coletiva com credores. O grupo, que atua no mercado livre e possui dezenas de ativos de geração distribuida, afirma enfrentar uma crise de liquidez provocada pelo descasamento entre a entrada em operação de projetos e o pagamento das dívidas contraídas para financiá-los, pelo custo elevado do crédito e por atrasos de distribuidoras na conexão de usinas à rede.
O pedido foi apresentado à 6ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro e busca converter uma tutela cautelar obtida em julho em recuperação judicial. Segundo a companhia, a medida anterior havia suspendido cobranças e atos de constrição para permitir uma negociação com credores, mas a tentativa de composição não avançou. O grupo afirma que credores relevantes passaram a buscar vencimentos antecipados, acionar cláusulas de cross-default, reter recebíveis e executar garantias.
A lista apresentada à Justiça aponta um passivo total de R$ 4,56 bilhões. Desse montante, R$ 2,29 bilhões correspondem ao chamado passivo votante, praticamente todo formado por créditos quirografários. Outros R$ 2,27 bilhões são créditos entre empresas do próprio grupo.
A maior parte da crise descrita à Justiça está ligada à estrutura de financiamento dos projetos de geração e à dificuldade de fazer os ativos começarem a gerar caixa no ritmo originalmente previsto.
