A campanha de 2026 começou como um duelo de cenografias. Lula escolheu a Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, o estádio onde discursou em 1979 como líder dos metalúrgicos, antes mesmo da fundação do PT. Flávio Bolsonaro escolheu Copacabana, palco tradicional das mobilizações bolsonaristas, de colete à prova de balas e camisa com os dizeres “Meu partido é o Brasil”. Nenhum dos dois falou do futuro. Ambos convocaram o passado.
O simbolismo de Lula é o da origem. O vídeo em que lê uma carta para o Lula de 1979 não é nostalgia gratuita: é a reencenação do mito fundador diante de um eleitorado que, em parte, não era nascido quando o mito nasceu. O chapéu, justificado pela radioterapia, humaniza, mas lembra a idade. Aos 80 anos, o candidato aposta que a biografia vale mais que a agenda. As homenagens a Marisa Letícia, a Janja e a dona Lindu foram o aceno explícito às mulheres, segmento onde o petismo mais precisa recuperar terreno.
O simbolismo de Flávio é o da herança e do martírio. O colete evoca a facada de 2018; o áudio gravado do pai, preso e inelegível, transforma o candidato em médium de uma liderança ausente. A fórmula “é difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé” é uma confissão de insuficiência convertida em humildade estratégica. Houve acenos ao eleitorado feminino e a segurança pública dominou: PCC, Comando Vermelho e milícias tratados como terroristas.
Os Estados Unidos também entraram em cena nos primeiros atos.
