A recuperação judicial da Casas Bahia, com aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas, parece distante da realidade do produtor rural. Mas as razões da crise apresentam semelhanças importantes.
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A varejista foi atingida pela combinação entre endividamento elevado, juros altos, consumo enfraquecido e dificuldade para obter recursos. No campo, produtores enfrentam queda nos preços, custos elevados, perdas climáticas e crédito cada vez mais caro e seletivo.
Uma empresa pode vender bilhões e não gerar caixa suficiente para pagar juros, fornecedores e dívidas. Da mesma maneira, uma propriedade pode colher muito e continuar financeiramente pressionada.
O produtor assume antecipadamente os custos da safra e somente recebe meses depois. Nesse período, fica exposto ao clima, ao câmbio e aos preços internacionais. Quando a safra quebra ou a cotação cai, a receita diminui, mas a dívida permanece, acrescida de juros elevados.
Por isso, a recuperação judicial nem sempre representa uma atividade improdutiva. Muitas vezes, revela um negócio viável que perdeu a capacidade de cumprir seus compromissos no prazo.
O campo já acendeu o sinal vermelho
O agronegócio registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 21,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
