Se a previsão indica uma chuva muito forte para uma determinada região, isso significa que existe também um risco de enchente ou deslizamento? A resposta é: não necessariamente. Entre prever um fenômeno meteorológico e prever os impactos que ele pode provocar, há uma série de informações que precisam ser analisadas.
A quantidade de chuva é uma das informações usadas nesse processo, mas não é a única. Para entender o que um determinado fenômeno pode provocar, os órgãos de monitoramento precisam relacionar os dados meteorológicos às características de cada região e às condições que podem favorecer ou agravar seus efeitos.
A chuva precisa ser relacionada ao risco
A previsão meteorológica indica as condições esperadas para a atmosfera, mas o risco surge quando essas condições são relacionadas à possibilidade de um determinado processo ocorrer em um território. No caso de deslizamentos, por exemplo, não basta saber que haverá chuva: é preciso acompanhar quanto choveu, por quanto tempo e como esse volume se relaciona com a possibilidade de movimentação do terreno.
Marcelo Gramani, geólogo e pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), explica que essa relação pode ser estabelecida a partir de dados históricos e do acompanhamento dos processos. Ele cita como exemplo o volume acumulado de chuva ao longo de alguns dias, mas ressalta que o dado isolado não é suficiente para determinar a emissão de um alerta.
