A designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como terroristas pelos Estados Unidos pode trazer graves consequências às empresas brasileiras. É o que afirma o promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial em Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente (SP), Lincoln Gakiya.
Em um evento do ICC Brasil, na última quinta-feira (13), Gakiya citou o histórico de grandes prejuízos financeiros sofridos por empresas no México e na França após a detecção de exposição à organizações terroristas, como exemplos do que pode acontecer com companhias no Brasil após a nova classificação feita pelo governo de Donald Trump.
O promotor destacou que os EUA podem sancionar uma empresa caso identifiquem a participação de uma organização terrorista em qualquer ponto da cadeia estrutural da companhia.
A “contaminação” não precisa ser proposital, ela pode ser “involuntária e indireta” para a aplicação de sanções. “A ordem do tesouro não depende de prova legal ou disputa judicial, ela é unilateral”, afirma Gakiya.
No final de maio, o Governo dos Estados Unidos designou as duas facções brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês) e Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT, na sigla em inglês), conforme as listas do Departamento do Tesouro dos EUA.
Ele explicou que, conforme o modus operandi atual do PCC, a facção não se infiltra em empresas apenas para lavar dinheiro, mas para lucrar com seus resultados.
