A Amazônia abrigou uma civilização antiga e sofisticada. Eles desenhavam enormes formas geométricas no solo na mesma época em que os gregos desenvolviam a geometria na Europa. Conhecido como Aquiry, esse povo viveu no sudoeste da floresta entre os anos 600 a.C. e 900 d.C. Um estudo recente revela a verdadeira dimensão dessa sociedade, que deixou marcas gigantescas escavadas na terra, chamadas de geóglifos.
Segundo a pesquisa, publicada na revista Nature, a região habitada pelos Aquiry abrange cerca de 183 mil quilômetros quadrados e pode abrigar entre 24 mil e 30 mil dessas estruturas. Os cientistas estimam que, no auge dessa civilização, entre os anos 100 e 300 d.C., a área reuniu entre 1,25 milhão e 3 milhões de habitantes. É uma densidade populacional muito maior do que a ciência julgava ser possível para a floresta na época.
A revolução tecnológica sob a copa das árvores
Mapear essas estruturas levou décadas de trabalho. No início, a partir dos anos 1970, os pesquisadores dependiam de sobrevoos em aviões pequenos e de fotografias tiradas em áreas desmatadas do Acre. Anos mais tarde, o surgimento do Google Earth permitiu localizar geóglifos em qualquer ponto exposto da floresta a partir de imagens de satélite. É o que contou Alceu Ranzi, presidente do Instituto Geoglifos da Amazônia e coordenador da pesquisa no Brasil, em entrevista ao Olhar Digital News.
